Discipulado do Reino- sobre sabedoria do alto

 

Hoje nos deparamos com o texto de Tiago 3:13-18. Nessa passagem o autor nos chama a atenção à sabedoria que vem do alto. Ele faz isso dividindo essa sessão em 3, contendo uma exortação(13) características da sabedoria terrena(14-16) e conclui com a sabedoria que vem de cima, ou de uma forma mais clara, de Deus. Segue o texto:

“Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria. Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de “sabedoria” não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores.”

 

O mesmo princípio que Tiago aplica a fé nos capítulos anteriores, ele também o faz quando trata da sabedoria. Sabedoria que vem de Deus assim como a fé verdadeira é acompanhada por obras de uma vida regenerada. As palavras “sábio e entendimento”provavelmente ainda são uma referencia aos que eram treinados a ensinar e que desejavam ser mestres diante da congregação no tocante ao ensino das escrituras(v.1). A esses Tiago diz: da sabedoria do alto fluem “bom procedimento, mediante obras praticadas com humildade”. É intenção do autor levar seus leitores a examinar o que eles entendem por sabedoria à luz dessa exortação: sabedoria verdadeira produz humildade(atitude ativa de aceitação e submissão as verdades contidas na palavra).

 

“Contudo”se ao examinar o que se entende por ser sábio e ter entendimento revela que humildade foi esquecido a muito tempo, não se deve alegrar-se disso, nem esconder o verdadeiro estado do coração, que está cheio de inveja amarga e ambição egoísta, diz Tiago. A  Ambição egoísta é a atitude que visa o auto-benefício e prestigio como prioridade, as palavras “inveja amarga” dão intensidade a essa atitude destrutiva. Os leitores de Tiago provavelmente estavam se gloriando na defesa parcial da verdade, uma defesa que visava apenas seus próprios interesses. Ao fazerem isso, estavam na verdade negando a verdade que diziam defender. Tiago reprova essa sabedoria guiada por ambição e inveja pois, a sua fonte não é encontrada no trabalhar regenerador do Espirito Santo mas em motivações terrenas, não espiritual e é demoníaca! O autor pode afirmar isso por causa do fruto dessa tal sabedoria terrena que sempre resulta em “confusão, e toda espécie de males”.

 

Tiago então faz o contraste com a sabedoria que vem do alto. Ela é antes de tudo pura. As suas intenções e motivações não são centradas na inveja amarga ou ambição egoísta, mas tem o interesse de Deus e do próximo em destaque. Ele prossegue com características dessa sabedoria que vem de Deus: ela é pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e bons frutos, imparcial e sincera. Atitudes essas que são totalmente contrárias às características da sabedoria terrena e demoníaca! Não há correlação entre as duas, elas se opõem assim como a fé sem obras na verdade não é fé alguma.

Aplicação:

A pergunta chave que temos que responder é a que Tiago queria que seus leitores se fizessem: Minha sabedoria é motivada por inveja amarga? Ambição egoísta?

Para responder medite sobre o que tem ocupado de fato lugar de urgência e prioridade na sua caminhada? O que meu coração deseja, se alegra e busca é a vontade de Deus ou os “perks” que esse mundo oferece?

Será que tenho usado da defesa do evangelho para adquirir respeito ou de fato avançar o reino? O que é mais importante pra mim, o fruto da pregação na vida daqueles que lidero ou o sentimento de missão cumprida?

Será que quero ser visto como líder ou de fato liderar pessoas servindo, submetendo e me envolvendo com seus problemas?

Quero ser membro da igreja ou ser a igreja que nega-se a si mesmo, toma sua cruz e segue Jesus Cristo o cabeça?

 

Minha oração é que essa mensagem o leve a uma sincera reflexão e que gere frutos eternos. É essa oração também sobre a minha vida no tocante a essa mensagem de Tiago.

Deus abençoe

Pr Du.

Oh Língua!

Nossa meditação de hoje vai se concentrar nos 12 primeiros versículos do capítulo 3 da carta de Tiago. Segue o texto:

 “Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que nós, os que ensinamos, seremos julgados com maior rigor. Todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo. Quando colocamos freios na boca dos cavalos para que eles nos obedeçam, podemos controlar o animal todo. Tomem também como exemplo os navios; embora sejam tão grandes e impelidos por fortes ventos, são dirigidos por um leme muito pequeno, conforme a vontade do piloto. Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniqüidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno. Toda espécie de animais, aves, répteis e criaturas do mar doma-se e é domada pela espécie humana; a língua, porém, ninguém consegue domar. É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero. Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não pode ser assim! Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte? Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce.” Tiago 3:1-12

Lembramos o propósito de Tiago em escrever para os crentes que foram dispersos de Jerusalém após a morte de Estevão: Sua carta encoraja os crentes em meio a perseguição e os exorta a viverem a palavra de Deus de tal modo que ela seja evidente no agir e falar. O foco de Tiago é mostrar que fé deve sempre ser acompanhada por obras ou, se preferirem, o pensamento e comportamento de um indivíduo nascido de novo é radicalmente transformado devido ele pensar e agir mediante a nova natureza recebida por fé em Cristo Jesus. No trecho das escrituras acima citado, Tiago nos ensina que o relacionamento vertical do ser humano com Deus deve resultar em benefícios ao relacionamento horizontal interpessoal. A graça dispensada por Deus sobre o indivíduo salvo, impacta a maneira que ele se relaciona com o seu próximo, isso é deve ser notável, segundo Tiago, não só em obras mas também na atitude com a qual se relaciona aos outros.

O autor dessa maravilhosa carta volta ao assunto do “falar”ou “língua” que foi primeiro mencionado por ele em 1:19 “Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se,” e  também 1:26 “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum!”. O apostolo destaca nessa sessão a relação do discípulo verdadeiro com o controle sobre a língua! É importante também para nossa compreensão entender que a língua aqui deve ser entendida como a mente inteligente comunicativa(coração) que usa a língua como instrumento. Logo, é a mente que corrompe a pessoa “porque a sua boca fala do que está cheio o coração”. Lc 6:45

Vamos ao texto:

1“Não sejam muito de vocês mestres” Calvino diz que “mestres” representam não os que “tinham ofícios públicos na igreja, mas o que se apoderavam do direito de julgar os seus irmãos na fé,(o que concordo ser o que Tiago tinha em mente ao dizer isso): pois esses desejavam ser mestres de moral confiando em si mesmos, buscando reputação para si mesmos as custas do erro dos outros, acusam pessoas a fim de justificar seus próprios erros. “São poucos os que são influenciados pela verdade e desejo de salvação dos seus irmãos, ao contrário, são motivados a apontar erros por hipocrisia orgulhosa e ambição”(Comentário de Calvino) por isso é que Tiago os exorta a não quererem ser esse tipo de mestres porque eles serão julgados de uma maneira mais rigorosa. Ao serem duros e incompassivos com seus irmãos eles impõem sobre si mesmos uma lei mais dura, aquele que julga as palavras e obras dos outros com extremo rigor será julgado por Deus da mesma maneira. Eles trazem sobre si mesmos a severidade de Deus!

2-4. “Todos tropeçamos de muitas maneiras” Aqui Tiago abre uma concessão geral e abrangente, todos pecamos e erramos. Isso serve de exortação a mansidão e a humildade, visto que nós somos falhos também e não há nada que ajude mais em moderar rigor excessivo do que reconhecer nossas próprias falhas. Agimos injustamente quando negamos o perdão e a misericórdia a outros que nós mesmos tanto precisamos. Tiago revela que controlar o falar é uma virtude mor, que aquele que consegue não pecar no falhar, consegue controlar também todo o seu corpo a fim de se manter puro. Ele ilustra isso com o freio na boca do cavalo e o leme do navio, que nos permite controlar todo o animal e todo o navio respectivamente.

5-8. “Assim Também” – a aplicação dos dois exemplos é agora demonstrado. Assim como freios e o leme, a língua também é um pequeno órgão. Porém, como os outros, a sua influencia é poderosa. Como objetos pequenos podem controlar animais e navios nas primeiras duas ilustrações, Tiago agora diz que a língua também é como uma faísca que destrói um grande bosque, mostrando assim o poder destrutivo que uma língua desenfreada tem. Portanto a língua pode controlar ou destruir, ser benção ou perversa, abençoar ou amaldiçoar de acordo com os próximos versículos

9-12. “Com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.” – Com a mesma mente comunicativa(coração ou língua, boca) nós adoramos e glorificamos a Deus mas também amaldiçoamos os homens. Isso aqui é um problema gigante! Nos tempos em que Tiago escreveu, o imperador romano erguia estatuas de sua própria imagem nas cidades que ele a dominava, e desrespeitar a imagem, era considerado o mesmo que desrespeitar o imperador em pessoa. É isso que Tiago quer trazer a mente dos seus irmãos em Cristo: cimo pode voces amaldiçoarem aqueles que foram feitos a semelhança de Deus, o que assim procede amaldiçoa ao próprio Deus. Isso é o princípio que Jesus ensinou

“Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’. “Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? ’ “O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram’. “Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’. “Eles também responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos? ’ “Ele responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’. “E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”. Mt 25:34-46

Tiago conclui perguntando sobre esse desencontro do bendizer a Deus e amaldiçoar o seu irmão: Pode uma figueira produzir azeitonas? A resposta é obvia- uma árvore só pode produzir de acordo com sua natureza. Portanto, se alguém está persistindo nos insultos e maldições referidas ao próximo, isso revela sua natureza não regenerada. A adoração a Deus não passa de uma farsa para esconder a hipocrisia presente. Sejamos então discípulos de Cristo que são comprometidos com a palavra e que possamos exortar uns aos outros com os nossos próprios defeitos e dificuldades em mente, demonstrando a graça que nós mesmos tanto precisamos! O discipulado do reino(verdadeira religião) tem um impacto transformador na maneira que lidamos com o próximo. Eu lido com as dificuldades deles pela perspectiva da minha necessidade de misericórdia e perdão de Deus. Sejam discípulos que realmente bendizem a Deus, controlando a língua e assim, amando a seus irmãos!

Deus abençoe

Pr Du.

Fé sem obras é morta

Tiago tendo tratado sobre o ouvir e receber a palavra da verdade pela qual fomos gerados (1:18), sobre a prática dessa palavra da vida e sobre como parcialidade é incompatível com a verdadeira religião, pois viola a palavra pela qual fomos gerados, parte agora para uma exortação mais confrontante! Segue o texto para nossa meditação:

“De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: “Você tem fé; eu tenho obras”. Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras. Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem! Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil? Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se assim a Escritura que diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça”, e ele foi chamado amigo de Deus. Vejam que uma pessoa é justificada por obras, e não apenas pela fé. Caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta. Tg 2:14-26

Para interpretarmos corretamente o texto acima, algumas observações são de suprema importância: 1. Tiago escreve sua carta para crentes professos que estavam esquecidos sobre o fato que Fé genuína e obras que demonstram amor genuíno um pelos outros são parte de uma mesma realidade e não duas coisas distintas. O problema desses Cristãos é que estavam enganados ao terem fé e obras como duas realidades diferentes, o que Tiago visa é demonstrar e convencer seus leitores de que fé genuína se evidencia em obras, e a ausência de obras identifica uma fé falsa, nas palavras dele “ fé morta”V.26. O segundo ponto importante a fazer, é que Tiago não está ensinando que salvação é alcançada por obras indo assim contra os ensinamento de Paulo, que diz que a salvação é exclusivamente através da graça de Deus mediante a fé e arrependimento. A intenção do autor aqui se torna claro quando entendemos corretamente seu argumento, Fé genuína leva a ação, ela é dinâmica e possibilita a pratica das boas obras preparada de antemão para que as praticássemos(Ef 2:10).  Versículos como 2:14 “Acaso a fé pode salva-lo?” devem ser interpretados com a definição certa, definição que podemos entender pelo contexto de sua carta até aqui. Fé até aqui tem sido a fé que os crentes recipientes de sua carta tem demonstrado: confissão de fé em Jesus Cristo que não resulta na pratica da palavra da verdade. Essa fé não é salvadora pois ela não carrega em si a evidencia para tal fé, a saber, boas obras. A carta de Tiago não deixa espaço para que uma fé seja uma mera aceitação mental da verdade, ela precisa resultar em obras.

Tendo estabelecido essas coisas vamos ao texto:

No versículo 14 Tiago nos mostra como a fé que não é acompanhada por boas obras não tem valor salvador algum “Acaso a fé pode salvá-lo?” O argumento do autor aqui é claro, Fé que salva se prova pelas obras que ela produz, princípio esse que Jesus deixa claro em seus ensinamentos “uma árvore é conhecida pelo seu fruto Mt12:33” O que esta sendo ensinado aqui não é que as obras ganham o favor de Deus mas que fé verdadeira é diretamente ligada a regeneração e por isso resultará em mudança no comportamento.

Nos versículos 15-16 Tiago ilustra o seu ponto referente ao versículo anterior, o caso aqui é: “Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia…” Ele faz isso pra trazer a mente como a fé genuína deve agir em circunstâncias assim. Se a resposta for dizer “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada,” que bem tem nisso? A forma desses verbos traz a ideia de que tal pessoa passa a responsabilidade de suprir a necessidade a outro ou então significa dizer para a pessoa em necessidade “aqueça-se e alimente-se”sem que se identifique uma fonte de suprimento a tal necessidade(EBC Abridged), o que na verdade é em si, um ato de crueldade com o necessitado. Assim ele pode dizer “do que adianta isso?” essa fachada falsa que finge se importar com o próximo? Isso não é fé verdadeira!

No versículo 17 ele faz uma afirmação conclusiva “a fé em si mesma, se não acompanhada por obras está morta” Boas obras são então frutos da verdadeira fé, a ausência deles testifica do quanto a fé na verdade é morta e falsa!

Versus 18-25 Ele vai apresentar o argumento para tal conclusão. O seu primeiro ponto é que só se pode demonstrar fé por ações, porque fé é uma atitude do interior do homem, e ela só pode de fato ser vista à medida que ela se manifesta em ações na vida daquele que a possui. Dizer que tem fé não prova que ela é uma realidade, por isso Tiago diz “Eu lhe mostrarei a minha fé pelas minhas obras”pois fé só pode ser vista assim, por obras. O segundo ponto em seu argumento em suporte a conclusão do v.17 tem haver com a natureza da fé salvadora. Ela não só crer intelectualmente num credo, no caso aqui citado por Tiago provavelmente a Shema, encontrado em Dt 6:4 “O Senhor seu Deus é um”, pois isso até os demônios sabem e tremem! Porém, fé salvadora vai muito além disso, ela envolve todo interior do homem, trazendo paz com Deus e uma vida exterior transformada! No versículo 22 Tiago nos fala algo interessante, ele diz “Você pode ver que tanto a fé como as suas obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras.”Depois de ter citado o exemplo de Abraão oferecendo Isaque a Deus. O que ele deseja é que seus leitores entendam que se Abraão não tivesse oferecido Isaque em obediência, ele seria incapaz de ser justificado porque a fé sem obras é na verdade ausência de fé, portanto não salvadora. Ele ainda cita o exemplo de Raabe que em fé arriscou sua vida para proteger os espiões e como resultado ela foi justificada. Sua fé resultou em obras e esse é o ponto principal da nossa passagem bíblica de hoje: verdadeira fé produz boas obras!

V.26 conclui essa sessão usando a ilustração do corpo humano “O corpo sem espirito está morto”. O corpo sem o espirito nada mais é do que um cadáver, algo sem vida, sem ação. Tiago depois compara esse corpo sem espirito com fé sem obras e a intenção dele é de nos fazer entender que fé sem obras não tem serventia alguma, é lixo! É importante notar porém, que Tiago não diz que boas obras é o que dar vida a fé, mas que a fé do verdadeiro discípulo de Cristo é inseparável das obras, são parte da mesma realidade.

Na caminha seguindo a Jesus nós vamos ser desafiados a ter uma fé ativa, uma que se preocupa em ser resposta a necessidade do próximo, a pergunta que deve ser respondida depois de uma análise do nosso comportamento é: Será que vejo evidencia da fé verdadeira em mim? Boas obras apontam para uma fé genuína. Se não vejo, preciso então me arrepender e pedir a Deus que me dê fé salvadora!

O verdadeiro discípulo é aquele que recebeu em si o dom da verdadeira fé!

Pr. Du

Verdadeira ou falsa religião

Como é rica a palavra do Senhor e como ela testifica da sua sabedoria perfeita! Louvado seja Deus que em sua fidelidade nos deixou um relato escrito, a fim de nos tornar sábios para a salvação, que Ele dispôs mediante Jesus Cristo, o Santo de Deus! Hoje o nosso texto de meditação se encontra em Tiago 1:26-2:1 – “Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo. Sua religião não tem valor algum! A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. Meus irmãos, como crentes em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam diferença entre as pessoas, tratando-as com favoritismo.”
Nos versículos anteriores(22-25) Tiago exortou seus leitores a serem ouvintes atentos e praticantes da palavra da verdade. Ele agora vai mostrar 3 áreas especificas onde a verdade deve ser colocada em prática na vida daqueles que participam do discipulado do reino(verdadeira religião): no falar, na maneira que se relaciona com outras pessoas e na maneira que se relaciona com o “mundo”.

  • No falar v.26 – Tiago aqui cria um contexto para o argumento que ele apresenta, ele diz “Se alguém se considera religioso” em outras palavras, se alguém se considera verdadeiro discípulo de Cristo, o considerar-se discípulo verdadeiro é o contexto. Com isso em mente ele diz que o que assim se considera “mas não refreia a sua língua”, engana a si mesmo!Porque a evidencia de conhecer ao Senhor Jesus Cristo é a manifestação do caráter misericordioso dele, na maneira que se fala daqueles que Deus escolheu para serem “ricos em fé e herdeiros do reino que ele prometeu aos que o amam” V.2:5. O verdadeiro discípulo de Cristo tem seus irmão em lugar elevado “Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios.” Rm 12:10.
  • Na maneira que se relaciona com pessoas- O chamado do discipulado do reino é um que exige ação! A religião que é agradável a Deus é a que exerce uma influencia positiva na vida de outros. O “dar honra”de Rm 12:10 é mais do que ter em auto estima mas requer uma ação positiva de “cuidar… … em suas necessidades”V.27 daqueles que precisam ser ajudados. A religião verdadeira é mais do que algo externo, portanto, o ajudar deve ser motivado não pelo desejo de ser visto mas das verdades espirituais ouvidas que agora quando colocadas em prática resultarão em ações de graça a Deus. Isso é fé se expressando por meio do amor que discípulos de Cristo devem dispensar à aqueles que Deus escolheu!
  • Na maneira que se relaciona com o “mundo” – É importante aqui uma definição dessa palavra mundo. Ela descreve a totalidade da ordem má que se opõem a Deus e a sua justiça. Diante disso Tiago nos diz que a verdadeira religião não se deixa corromper por essa ordem má que se opõem a Deus. Aqui moralidade é a questão, o discípulo de Cristo é lembrado que toda essa expressão prática da palavra deve ter seu fundamento no rompimento com o o pecado que Deus operou o gerando pela palavra da verdadeV.18.

Nos versículos 19-27 do capítulo 1 Tiago mostra a necessidade de praticar a palavra, ele ensina sobre as implicações dessa prática da palavra em 3 áreas específicas, as que foram descuidas acima. No capítulo 2 Tiago vai nos mostrar como que a parcialidade(favoritismo) viola o padrão que ele estabeleceu acima – verdade de Deus ouvida e sua prática nas devidas áreas discutidas. Tiago faz isso lembrando os seus leitores em quem eles são crentes, quem é o objeto de fé deles -“crentes em nosso gloriosos Senhor Jesus Cristo. Ao descrever Jesus como glorioso, ele está revelando o motivo pelo qual parcialidade é incoerente com o discipulado do reino. Trata se alguém com parcialidade pelo medo que se sente e a falsa noção que a pessoa possa suprir essa necessidade, seja isso manifestado em segurança, oportunidade financeira, status, conforto, fama, trabalho, cola na prova e etc. Isso se constitui um insulto ao “glorioso Senhor Jesus Cristo”pois ele, e somente ele, com toda a sua glória pode de fato lançar fora o nosso medo por meio do seu perfeito amor e nos fazer habitar em segurança. Portanto, a verdadeira religião não trata com parcialidade porque ela tem no Glorioso Senhor Jesus Cristo todas as suas necessidades supridas e a busca de tentar achar soluções para o medo e a insegurança já não existe para os que se acham em Cristo!

Para meditação:

A verdadeira religião ouve e coloca em prática a palavra começando no falar, depois no relacionamento com pessoas e no relacionamento com o mundo. Em vista dessas verdades, como tenho falado do meu irmão? Como tenho buscado a honra dele mais do que a minha? Será que houve um rompimento com o pecado genuíno em mim?

Será que trato pessoas com parcialidade a fim de buscar a aprovação delas?

Infelizmente, enquanto estivermos na peregrinação desta vida corpórea, estaremos tentados a praticar uma falsa religião, onde verdade da palavra e prática da mesma são realidades distantes uma das outras, onde parcialidade se torna tão comum que passa despercebido por debaixo de nossos olhos. Por essa razão, existe grande benefício em parar para uma profunda análise da nossa fé. Que o gloriosos Senhor Jesus nos ajude, nos dando olhos que veem e ouvidos que ouvem!
Deus abençoe

Pr Du.

Igreja Verdadeira e Seus Propósitos

O que é a Igreja?
Podemos definir a Igreja como sendo a comunidade de todos os santos de todos os tempos. Os crentes do Velho Testamento foram salvos na esperança da vinda do Messias, ao passo que, nós somos salvos mediante a esperança no Messias que veio, juntos somos a Igreja.
A Igreja verdadeira é a que se enquadra no que a bíblia diz ser igreja, dos ensinamentos da bíblia João Calvino chegou corretamente a conclusão de que a igreja verdadeira exibe três marcas essências:
1- A Pregação da palavra de Deus – a igreja verdadeira zela pela pregação da palavra e se certifica de que os essenciais da fé( divindade de Cristo, trindade, salvação por graça, a suficiência e exclusividade de Cristo para salvação do homem) estão sendo pregados.
2. A administração correta dos sacramentos- o ensinamento que algum dos sacramentos(batismo e a ceia do Senhor) pode em alguma forma ajudar um indivíduo a ser salvo é incorreto e deturpam a forma como Jesus os instituiu a igreja. O não praticar dos sacramentos é uma violação direta dos ensinamentos de Cristo.
3. O exercício da disciplina na igreja- A igreja verdadeira é uma que não deixa de exortar seus membros quanto a maneira certa de viver, e disciplina com amor os irmãos que persistem em viver uma vida onde não há regeneração.
Essas são as marcas de uma igreja verdadeira, uma igreja que é igreja.

Essa igreja verdadeira tem também um propósito e esse propósito pode ser entendido em relação a Deus, ao mundo e aos Cristãos:
Em relação a Deus- o propósito da igreja é a Adoração. Paulo diz aos crentes de Éfeso que a razão pela qual Deus nos escolheu em Cristo foi o “louvor da sua gloria” Ef 1:12
Aos crentes de Colossos Paulo os ordena ao louvor a Deus “com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão no coração” Col 3:16.

Em relação ao mundo- o propósito da igreja é a evangelização. Jesus disse aos seus discípulos para ir por toda nação fazer discípulos. A bíblia nos diz também que a fé vem pelo ouvir a palavra de Deus( Rm 10:17) e que Deus escolheu salvar os crentes pela loucura da pregação( 1 Co 1:21).

Com relação ao Cristão- o propósito da igreja é a edificação. A igreja tem a obrigação de alimentar aqueles que já são cristãos e ajudá-los a fazerem progresso na caminha além da mera decisão de seguir a Cristo, o chamado da igreja é edificar os cristãos à maturidade na fé. Paulo escreve a Colossos dizendo que o desejo dele era apresentar todo homem perfeito(maduro) em Cristo(Col 1:28)
Esse é o propósito da igreja em relação a Deus, ao mundo e os Cristãos.

Minha oração é que você seja parte dessa igreja verdadeira de Cristo e que viva esses propósitos. É minha oração também que você sendo a igreja viva essas verdades como indivíduo, tendo compromisso com a palavra e os sacramentos e ainda vivendo o seu propósito como igreja.
Deus abençoe e que a Paz de Deus reine!
Pr Eduardo Ramos